Desigualdade social
Desigualdade social

Desde 1990, o United Nations Development Programme (UNPD) vem publicando anualmente um relatório sobre o desenvolvimento humano no mundo. O de 1998 apresenta algumas tristes surpresas, reveladoras de profundas desigualdades entre os povos: aumenta a pobreza nos países pobres mas também nos países ricos nos quais, ao mesmo tempo que aumenta o consumo, crescem os índices de pobreza (entre 7 e 17%) por causa dos fluxos migratórios.

Consumismo sem precedentes

Consumismo
Consumismo

O consumo mundial dos bens aumentou de maneira nunca vista. Nos últimos 25 anos – diz o relatório – nos países industrializados, cresceu numa média anual de 2,3%; no sul da Ásia, 2%, e em alguns países do leste asiático, em até 6,1%. Em contrapartida, em outros países do Terceiro Mundo, especialmente na África, o consumo diminuiu 30%, no mesmo período.

Um bilhão de excluídos

Excluídos
Excluídos

Dos 4,4 bilhões de pessoas que povoam a terra, 3/5 não dispõem de infra-estrutura higiênica, 1/3 não tem água potável, 1/4 não mora num local em condições decentes, 1/5 não tem acesso aos modernos serviços médicos e sanitários.
Mais gritante ainda é a relação entre países ricos e pobres: cerca de 86% do consumo mundial está nas mãos de 20% dos países ricos, enquanto 80% dos pobres consome os 14% restantes.
Os cinco países mais ricos consomem 45% das proteínas disponíveis, 58% da energia, 84% do papel, 14% das linhas telefônicas, enquanto os cinco países mais pobres consomem 5% das proteínas, 4% de energia, 1,1% do papel e 1,5% das linhas telefônicas.

O empobrecimento da terra

Empobrecimento da Terra e
Empobrecimento da Terra

Um fato grave denunciado pelo relatório do UNDP é o empobrecimento generalizado do mundo devido à industrialização selvagem e ao consumo irracional que vem sendo feito dos recursos da terra. Embora tenha havido alguma melhora, a poluição continua grave e a produção de resíduos é superior à capacidade de reciclá-los.
Existem urgências que, se não forem resolvidas, tornarão ainda mais difíceis as condições de vida na terra: a diminuição das florestas, das águas potáveis, da bio-diversidade, da pesca. A disponibilidade da água potável passou de 17.000 metros cúbicos per capita em 1950, aos atuais 7.000 metros cúbicos. A emissão do dióxido de carbono quadruplicou nos últimos 50 anos e os resíduos não recicláveis triplicaram em 20 anos.

Perspectivas
Diante desses dados, é possível traçar uma previsão para o futuro, que poderá ser catastrófico, se não se corrigirem urgentemente os estragos causados à natureza. Em 2050, numa população mundial prevista de 9,5 bilhões de pessoas, de 1 a 2,5 bilhões terão problemas de escassez de água potável. Hoje, já são 132 milhões.
Por causa da poluição e do aumento do calor médio do planeta, o nível do mar poderá subir um metro, roubando terras aos países costeiros; poderão crescer as colheitas em alguns países situados nas zonas frias, mas, em compensação, os desertos irão avançar.
O relatório finaliza apresentando sugestões para um desenvolvimento sustentável, ou seja, que não diminua os bens de consumo e não destrua a natureza, ao contrário, um tipo de desenvolvimento em que o homem e natureza contribuam para a recíproca sobrevivência.
De modo especial, o relatório sugere aos países em desenvolvimento que não enveredem pelos caminhos já percorridos pelos chamados países desenvolvidos, mas que procurem uma integração e um maior uso das energias naturais – menos poluentes – como a energia eólica, solar, da bio-massa derivada dos vegetais, como o etanol (álcool da cana de açúcar). Aos países desenvolvidos recomenda a urgente renovação das indústrias para outras menos poluentes e mais limpas.

Do Relatório sobre o Desenvolvimento Humano do UNPD, 1998
Revista “MUNDO e MISSÃO”

Consumo Consciente
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